
Por trás do discurso de “cura emocional” e desenvolvimento humano, o psicoterapeuta Jordan Campos é acusado de usar pacientes e alunas em casos de manipulação psicológica, abuso sexual e exploração patrimonial. Com mais de 430 mil seguidores nas redes sociais, ele foi alvo da “Operação Catarse”, realizada nesta terça-feira (26) pelo Ministério Público da Bahia.
A investigação aponta que o terapeuta teria criado uma relação de dependência psicológica com vítimas por meio de cursos, mentorias e atendimentos terapêuticos. Nas redes sociais, Jordan se apresenta como escritor, autor de três livros, palestrante internacional e especialista em comportamento humano, misturando espiritualidade, neurociência e desenvolvimento pessoal.
Segundo o Ministério Público, o investigado usava a posição de autoridade e o acesso a informações íntimas para ultrapassar os limites da relação terapêutica. Os relatos descrevem um padrão de aproximação de mulheres emocionalmente fragilizadas, seguido de episódios de humilhação, coerção psicológica e assédio sexual.
Há ainda relatos de prescrições médicas supostamente forjadas, incentivo à suspensão de medicamentos psiquiátricos, uso de substâncias sem respaldo clínico e intervenções emocionais descritas como agressivas. Entre as consequências relatadas estão crises de ansiedade, depressão severa, paranoia, síndrome do pânico, internações psiquiátricas, afastamento do trabalho, isolamento social e dependência de medicamentos controlados.
Operação Catarse
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos na residência e no consultório do investigado, que inclusive foi fechado, nos bairros da Pituba e Caminho das Árvores. A Justiça determinou ainda o bloqueio de mais de R$ 960 mil em bens e a suspensão imediata das atividades profissionais ligadas a atendimentos psicoterapêuticos, cursos, palestras e mentorias.
Até o momento, quatro vítimas foram formalmente identificadas, três relacionadas a crimes contra a dignidade sexual e uma a crime patrimonial. Segundo os investigadores, todas relataram um modo de atuação semelhante e afirmaram conhecer outras mulheres que ainda não procuraram as autoridades por medo ou vergonha.
Gurus da cura
O caso de Jordan Campos volta a expor a atuação de figuras que usam discursos de autoconhecimento, espiritualidade e “cura emocional” como ferramenta de controle psicológico sobre seguidores e pacientes. Na Bahia, um dos episódios mais emblemáticos envolve o médium Jair Tércio, acusado por ao menos 14 mulheres de abuso psicológico, manipulação espiritual e violência sexual. Alvo de mandado de prisão desde setembro de 2020, ele segue foragido da Justiça.
O cenário também remete ao caso do médium João de Deus, condenado por crimes sexuais após centenas de denúncias de mulheres que relataram abusos cometidos durante atendimentos espirituais em Goiás.
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